Nulidade
do Matrimônio: conheça algumas causas
Entrevista
com Prof. Felipe Aquino
Por Canção Nova (www.cancaonova.com)
Diante de tantas dúvidas com relação à
nulidade do casamento, que pode ser concedida a alguns casais pelo
Tribunal Eclesiástico, o professor Felipe Aquino esclarece
os principais motivos que levam a Igreja Católica a declará-lo
nulo.
A decisão
do casal ou de um dos cônjuges de não ter filhos, erro
de pessoa, a imaturidade dos cônjuges e a coação
para se casar são algumas das razões que, segundo
o professor, podem levar a Igreja a considerar um matrimônio
nulo. Ele explica como devem viver os casais de segunda união
quando entram com o pedido [de nulidade] no Tribunal e analisa a
possibilidade de um namoro durante a espera da conclusão
desse processo.
O entrevistado
esclarece também uma das dúvidas mais comuns entre
os católicos: Adultério é motivo de nulidade
do matrimônio? Estas e outras perguntas compõem a primeira
parte do bate-papo que o cancaonova.com teve com o professor no
escritório de sua casa, em Lorena (SP).
Prof.
Felipe Aquino, casado, pai de 5 filhos, é doutor em Física
pela UNESP. Membro do Conselho Diretor da Fundação
João Paulo II, mantenedora do Sistema Canção
Nova de Comunicação. Grande conhecedor e estudioso
dos dogmas da Igreja e da fé católica, ele participa
de aprofundamentos no país e no exterior. Autor de 60 livros,
apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova:
"Escola da Fé" e "Trocando Idéias".
cancaonova.com: O Código de Direito Canônico
(Cânon 1096, 1§), fala que o matrimônio é
ordenado à procriação da prole por meio de
alguma cooperação sexual. Isso quer dizer que todo
casal é obrigado a ter filhos?
Felipe
Aquino: Ele não é obrigado a ter filhos, mas o casal
tem de estar aberto a eles. Há casais, por exemplo, que não
podem ter filhos por questão de saúde, da esterilidade
do homem ou da mulher. Um dos juramentos que os noivos fazem no
altar é quando o padre pergunta: "Vocês estão
dispostos a acolher os filhos que Deus lhes enviar, educando-os
na fé de Cristo e da Igreja?".
O que
o casal não pode é casar-se com o propósito
de nunca ter filhos; independentemente da condição
de saúde. Isso pode, inclusive, levar o Tribunal da Igreja
a declarar o casamento nulo. Se eles podem ter filhos, mas não
os querem, isso pode ser um ponto de nulidade.
cancaonova.com: O mesmo código diz, sobre
a simulação no cânon 1101 (§1), que "se
uma das partes ou ambas, por ato positivo de vontade, excluem o
próprio matrimônio, algum elemento essencial do matrimônio
ou alguma propriedade essencial, contraem invalidamente". O
senhor pode esclarecer esse artigo?
Felipe Aquino: O fundamental do matrimônio
é o consentimento pleno do casal; é aquele 'sim' que
o casal diz quando o padre lhes faz as perguntas: "É
de livre e espontânea vontade que vocês querem se casar?".
"Vocês prometem um ao outro amor e fidelidade para sempre?".
Então, o importante é que o casal esteja perfeitamente
consciente do que está fazendo e tome a decisão com
liberdade e com conhecimento. Um conhece o outro e querem se casar
mesmo sabendo dos problemas e defeitos do outro.
O que não pode é um deles se casar por medo, mentira,
chantagem, desconhecendo um fato importante da vida do outro ou
sob ameaça.
cancaonova.com: E se, por caso, um dos cônjuges
não puder tê-los [filhos]?
Felipe Aquino: Se eles não podem, não
tem problema. O casamento continua válido.
cancaonova.com: Um casal, mesmo que já tenha
filhos, pode pedir a anulação do casamento?
Felipe Aquino: Se houver motivo, pode. Há
muitos casais separados, já com filhos, que o Tribunal da
Igreja encontra algum motivo para a nulidade e a declara. A questão
da nulidade é independente da questão de haver ou
não filhos.
cancaonova.com: Uma pessoa que entra com pedido
de nulidade pode namorar enquanto aguarda a conclusão do
processo?
Felipe Aquino: Não há uma posição
explícita da Igreja em relação a isso. O que
há são opiniões. Uma opinião que eu
acho equilibrada é que a separação física
do casal não extingue o vínculo matrimonial. Não
é porque o casal se separou, mesmo estando divorciado, que
o matrimônio acabou. Então, é complicado eles
começarem a namorar sem ter a declaração de
nulidade. A orientação que eu dou, normalmente, é
que – se alguém se separou, e está convicto
de que o seu casamento foi nulo, entrou com o processo no Tribunal
Eclesiástico e conheceu uma outra pessoa –, não
comece um namoro. Mantenha uma forte amizade com ela, ou até
mesmo um compromisso de que um dia vai namorá-la. Assim,
você não atenta contra o vínculo matrimonial
que ainda existe.
cancaonova.com: Se a pessoa já está
vivendo uma segunda união e resolve entrar com o pedido de
nulidade, como ela deve agir?
Felipe Aquino: Se o casal já está
na segunda união, com vida conjugal, sexual, então,
eles não podem ter vida sacramental, ou seja, a Igreja não
autoriza que eles recebam a confissão nem a Eucaristia. Eles
devem entrar com o processo no Tribunal Eclesiástico. Se
conseguirem a declaração de nulidade, podem se casar.
Se não a conseguiram, é melhor que se separem se quiserem
viver de acordo com as normas da Igreja. Do contrário, teriam
que viver, por toda a vida, sem receber os sacramentos.
cancaonova.com: Quando à sexualidade, como
fica a relação desse casal de segunda união?
Felipe Aquino: Se eles não têm vida
sexual, podem receber os sacramentos; do contrário, isso
caracteriza uma questão de concubinato, de adultério.
A legitimidade para a vida sexual só acontece depois que
sair o processo de nulidade e eles se casarem na Igreja.
cancaonova.com: Depois de um processo para nulidade
do casamento, as duas partes têm direito de se casar novamente
ou somente a parte que entrou com pedido?
Felipe Aquino: As duas partes. Se um casamento foi
declarado nulo, é nulo para os dois, mesmo que um deles não
tenha entrado com o pedido.
cancaonova.com: Se um dos cônjuges entra com
o pedido de nulidade, mas o outro não aceita. É possível
dar andamento ao processo?
Felipe Aquino: Basta que um queira e o outro também
vai ser chamado a depor. Se o depoimento daquele que é contrário
for suficiente para o Tribunal Eclesiástico achar que o casamento
foi válido, então, mantém-se a validade do
matrimônio. Mas se apesar do depoimento daquele que é
contrário, esse órgão achar que houve algo
que invalidou a união, ele pode declará-la nula, mesmo
que seja contra a vontade de um dos cônjuges.
cancaonova.com: Adultério é motivo
de nulidade no casamento?
Felipe Aquino: Não. O adultério é
algo que aconteceu depois do casamento e um motivo para declarar
a nulidade tem de ser algo que aconteceu antes ou durante a celebração
[do casamento]; não depois. Pode ser que o adultério
seja um indício de nulidade, porque se a pessoa, por exemplo,
adulterou porque, antes do casamento, ela já tinha premeditado
isso, aí apesar do erro ter sido posterior [ao matrimônio],
houve premeditação.
Tirado
do site: www.cleofas.com.br
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